Ubiracy de Souza Braga*

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn, uma pequena vila na Baviaria, na Alemanha. Criado em um ambiente antissocialista, Ratzinger iniciou sua carreira no catolicismo em 29 de junho de 1951, quando ele e seu irmão Georg Ratzinger foram ordenados sacerdotes pelo cardeal Faulhber de Munique. Em 25 de março de 1977 ascendeu ao cargo de Arcebispo de Munique e Freising. Apenas três meses depois (no dia 27 de junho) é ordenado Cardeal do consistório, data essa em que recebeu o título presbiteral de “Santa Maria da Consolação no Tiburtino”. Foi a partir dessa data que Ratzinger angariou novos cargos e prestígios na cúria romana, como apresentamos a seguir: Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (antiga Suprema e Sacra Congregação do Santo Ofício); Cardeal-bispo da Sé Episcopal de Velettri-Segni (1993); Decano do colégio Cardinalício (2002); Papa (2005).

Contudo, importa-nos descrever e explicar as linhas do pano de fundo ideológico que antecedem à sua formação ao catolicismo nos começos do século. Heinrich Finke havia obtido uma cátedra de História na Universidade de Friburgo no final do século passado. Suas posições respaldadas em vasto trabalho de arquivo sobre a história da Igreja da Idade Média caracterizavam-se por um engajamento irrestrito a favor de um Estado nacional: a fundação do Reich por Bismarck, em 1870-1871, parecia-lhe um acontecimento de proporções colossais. Finke, que só concebia o Estado moderno como herdeiro do imperium medieval, festejava, por conseguinte o “imperialismo mundial” como a mais elevada obra dos “povos germânicos” que, ao reintegrar o princípio nacional à história universal, realizam uma missão de grandeza incomparável. Finke era um membro do Partido Católico, o Zentrum.

Quanto a von Below, mais à direita que Finke, chegara a Friburgo em 1905; era oriundo da Prússia oriental. Von Below era conhecido, sobretudo por ter integrado a história econômica ao conjunto das disciplinas históricas. Segundo suas concepções, a afirmação do Estado como Estado nacional era o verdadeiro fundamento da história como ciência: o Estado lhe parecia o mais importante dos vínculos entre os homens, a organização essencial de cada povo e a fonte de toda cultura. Apoiando-se em filosofias como a de Wilhelm Dilthey (1949) e de Heinrich Rickert, von Below insistia também no papel central dos indivíduos na história, rejeitando a ideia de que a ciência histórica pudesse descobrir qualquer espécie de lei histórica sem considerar antes de qualquer coisa a intervenção exemplar de certos personagens.

Von Below se destacou pelo extremismo de suas posições desde antes da República de Weimar, o que mais tarde veio a chamar a atenção de Peter Gay em sua autobiografia, My German Question: Growing Up in Nazista Berlin (1998). Ele considerava a democracia o pior perigo para uma nação como a Alemanha e seu povo. Partidário desde sempre da expansão mais agressiva, pregava o modelo de uma sociedade dividida em ordem, nutrindo ademais um antissemitismo virulento, sendo os judeus a seu ver, os responsáveis diretos pela difusão das ideias antinacionais, liberais e democráticas. Ele chegava a afirmar que, “dentre as pessoas cultas de origem cristã e alemã, só podiam ter tendências marxistas as que sofriam evidentes deficiências, enquanto entre os judeus esta tendência era a norma”. No final da Primeira Grande Guerra (1914-18), von Below será um dos principais dirigentes do Deutsche Vaterlands Partei, grupo extremista que pregava o prosseguimento da guerra até as suas últimas consequências e, é óbvio, uma figura importante desse partido e na Universidade de Friburgo. Publicará mais tarde, com o ideólogo racista H. Stuart Chamberlain, a revista Deutschlands Erneuerung, que nos anos 1920 se pronunciou a favor do movimento nacional-socialista nascente. Fica evidenciado que jovens estudantes recebiam sua primeira formação política científica de professores cujas posições, embora em graus e sentidos diferentes, se tornariam, chegado o momento, fatores da tomada do poder pelo fascismo (Farias, 1988, passim).

Ao contrário do que se afirma Ratzinger participou da Juventude Hitlerista e lutou lado com seu irmão na defesa do Terceiro Reich. Detalhes de seu envolvimento com a agremiação paramilitar nazista pode ser vista em sua autobiografia: “Marco, Memórias: 1927 – 1977”.  Criada em 1922, a Juventude Hitlerista se apresentava como uma organização paramilitar do partido nazista, a Hitlerjugend que tinha como escopo “treinar adolescentes alemães de 6 a 18 anos de ambos os sexos para servirem aos interesses do Nazismo”. Esses grupos de indivíduos, doutrinados pelo Estado, existiu entre 1922 e 1945. Em 1936, Hitler unificou as organizações de jovens e anunciou que todos os jovens alemães deveriam se alistar nos Jungvolk, aos 10 anos, quando poderiam ser treinados em atividades extracurriculares que incluíam “a prática de esportes e acampamentos, além de uma doutrinação ao nazismo”.

Diante das denúncias de que Ratzinger era simpático ao nazismo, os defensores do sumo pontífice “alegam que ele simplesmente serviu ao exército nazista, e que jamais se filiou ao Nazi”. No entanto, evidências mostram que tanto Ratzinger como o Papa Pio XII deram total apoio ao nazismo, emprestando-lhe ajuda e financiando suas tropas. Eles aparecem em fotos juntos em cerimônias com Hitler, o que atenua ainda mais a suspeita de que Ratzinger não era simplesmente um recruta que agia contra sua vontade e a divina, mas que possuía um “vínculo afetivo” ou uma afinidade eletiva, de Wolfgang Goethe a Max Weber muito próximo com a alta hierarquia do nazismo. Mais importante ainda é dizer que antes mesmo de ser soldado, Ratzinger foi membro da Juventude Hitlerista. Ratzinger nutria já à época uma profunda admiração pela juventude Hitlerista, seu modo de vida e expressão social. Não devemos perder de vista que em sua progênie, o papa Pio X condenou o modernismo em 1907 em sua encíclica Pacendi dominici gregis, e em 1910 decretou que todos os clérigos, inclusive os professores de teologia e filosofia católica, deveriam fazer “um juramento antimodernista” para poder se dedicar ao apostolado ou ao ensino. As universidades alemãs foram então palco de polêmicas violentas.

Historicamente, como é sabido, por quase 12 anos a Igreja Católica mostrou-se conivente para com o genocídio (cf. Horkheimer, 1967; Rama, 1979; Domenach, 1986; Agamben, 2000; Braga, 2004) praticado pela SS, quando seis milhões de judeus foram torturados e mortos em campos de concentração. Isso tem uma explicação óbvia: a Igreja pouco se importou com o povo judeu, sendo eles mesmos os inquisidores de muitos durante a História. O antissemitismo sempre foi uma constante nos bastidores de Roma. Não somente durante a Inquisição (especialmente na Espanha), a Igreja Católica perseguiu, torturou e sacrificou milhares de judeus em nome da “santa doutrina católica”, como é claro o que ocorre com o filósofo, astrônomo e matemático Giordano Bruno, primus inter pares, por ter desenvolvido sua teoria do universo infinito e da multiplicidade dos mundos, em oposição à tradição geocêntrica – a Terra como centro do universo – sendo por isso queimado vivo por ordem da Inquisição em fevereiro de 1600 (cf. Giuliano Montaldo, Giordano Bruno (idem, ITA, 1973); Giordano Bruno (idem, ITA, 1973, 123 min. Versão com legendas em francês).

O que aconteceu na Alemanha não era nenhuma novidade para a Igreja; a morte de seis milhões de judeus era apenas uma cifra a mais na lista das tantas praticadas por eles durante seis séculos de Inquisição e cruzadas. Há até quem suspeite que a ascensão de Hitler ao poder fosse, na verdade, parte de uma conspiração católica para impor seu domínio ao mundo ocidental, exterminar os judeus e os protestantes por definitivo. Os objetivos de Hitler – de estabelecer um “cristianismo positivo” e “eliminar as raças impuras” -, seria uma reencenação do que aconteceu na Espanha durante a Inquisição, quando mais de 50.000 judeus foram brutalmente assassinados pelas tropas católicas. O que motivou esse etnogenocídio ou etnocídio (cf. Clastres, 2004) era o fato que os judeus representavam uma ameaça não só para a Igreja, mas também para toda a sociedade espanhola. Como em qualquer outra parte do mundo em que se estabelecem, os judeus gozavam de um considerável prestígio na sociedade espanhola da época. Foi a partir daí que surgiu a ideia de que o Judaísmo hereditário – ou mala sangre – era a raiz de todos os males que a sociedade espanhola atravessava. Nasceu então a obsessão paranoica à conversão pelo “sangue puro”, o estabelecimento de uma sociedade genuinamente espanhola e soberana como pari passu aconteceria na Alemanha nazista de Hitler.

De acordo com P. Clastres (1934-1977), membro do Laboratoire d`Anthropologie Sociale do Collège de France (CNRS, Paris), e Autor, entre outros, de Chronique des Indiens Guayaki (1972), La Sociétè contre l`Éat. Recherches d`anthropologie politique (1974), Le Grand Parler. Mythes et chants sacrès des Indiens Guarani (1974), Recherches d`anthropologie politique (1980), Myhologie des Indiens Chulupi (1992), mas no ensaio Arqueologia da Violência afirma o seguinte:

O Ocidente seria etnocida porque é etnocêntrico, porque se pensa e se quer a civilização. Uma questão, porém se coloca: nossa cultura detém o monopólio do etnocentrismo? A experiência etnológica  permite responde a isso. Consideremos a maneira como as sociedades primitivas nomeiam a si mesmas. Percebe-se que, na realidade, não há autodenominação, na medida em que, de modo recorrente, as sociedades se atribuem quase sempre um único e mesmo nome: os Homens. Ilustrando com alguns exemplos esse traço cultural, lembraremos que os índios Guarani nomeavam-se Ava, que significa os Homens; que os Guayaki da Venezuela se proclamam O Yanomani, a ´Gente`; que os esquimós são Innuit, ´Homens`. Poder-se-ia estender indefinidamente a lista desses nomes próprios que compõem um dicionário em que todas as palavras têm o mesmo sentido: homens. Inversamente, cada sociedade designa sistematicamente seus vizinhos por nomes pejorativos, desdenhosos, injuriosos” (Clastres, 2004:85).

Daí o fato cultural que reitera o etnocentrismo quando se afirma que:

Toda cultura opera assim uma divisão entre ela mesma, que se afirma como representação por excelência do humano, e os outros, que participam da humanidade apenas em grau menor. O discurso que as sociedades primitivas fazem sobre si mesmas, discurso condensado nos nomes que elas se dão, é, portanto etnocêntrico de uma ponta á outra: afirmação da superioridade de sua existência cultural, recusa de reconhecer os outros como iguais. O etnocentrismo aparece então como a coisa do mundo mais bem distribuída e, desse ponto de vista pelo menos, a cultura do Ocidente não se distingue das outras. Convém mesmo, aprofundando um pouco mais a análise, pensar o etnocentrismo como uma propriedade formal de toda formação cultural, como imanente à própria cultura. Pertence à essência da cultura ser etnocêntrica, na medida exata em que toda cultura se considera como a cultura por excelência. Em outras palavras, a alteridade cultural nunca é apreendida como diferença positiva, mas sempre como inferioridade segundo um eixo hierárquico” (Clastres, 2004:85-86).

Desta forma é aceito que o etnocídio, “é a supressão das diferenças culturais julgadas inferiores e más”; é a aplicação de um princípio de identificação, de um projeto de redução do outro ao mesmo, como ocorre, por exemplo, com o índio amazônico suprimido como outro e reduzido ao tempo como cidadão brasileiro. Em outras palavras, o etnocídio resulta na dissolução do múltiplo no Um. O que significa agora o Estado? Ele é, por essência, o emprego de uma força centrípeta que tende, quando as circunstâncias o exigem, a esmagar as forças centrífugas inversas. O Estado se quer e se proclama o centro da sociedade, o todo do corpo social, o mestre absoluto dos diversos órgãos desse corpo. Descobre-se assim, no núcleo mesmo dessa substância do Estado, a força atuante do Um, a vocação de recusa do múltiplo, o temor e o horror da diferença. Nesse nível formal em que nos situamos atualmente, afirma P. Clastres, “constata-se que a prática etnocida e a máquina estatal funcionam da mesma maneira e produzem os mesmos efeitos: sob as espécies da civilização ocidental ou do Estado, revelam-se sempre a vontade de redução da diferença e da alteridade, o sentido e o gosto do idêntico e do Um”.

Mas o que justifica a presença de Joseph Ratzinger em meio a esta dramatis personae? As evidências que pesam sobre ele são estonteantes, fazendo com que até mesmo a Igreja Católica da Alemanha lamentasse a sua eleição para Papa em 2005. Ele representa o há de mais contraditório, cínico e perturbador na história dos papas. O seu envolvimento com a Juventude Hitlerista, assim como aconteceu com inúmeros outros jovens alemães, se deu em um momento de grande euforia do “populismo católico”. O cristianismo positivista apresentado nos discursos de Hitler despertou em muitos jovens da época um sentimento de nacionalidade, independência e fervor religioso jamais visto em toda a Europa. Joseph Ratzinger deixou os estudos e se juntou a agremiação por “acreditar que Hitler poderia reavivar o catolicismo, dar-lhe novos rumos e estabelecer um novo significado. Foi assim que ele se embrenhou no submundo do nazismo, defendendo com unhas e dentes o Terceiro Reich”.

A análise crítica pode ser vista historicamente em Max Horkheimer, Autoritäter Staat. Die Juden und Europa Vernunft und Selsterhaltung Aufsätze 1939-1941 (Verlag de Munter, Amsterdam, 1967: 7), onde afirma: “Der neue antisemitismus ist der Senbote der totalitären Ordnung, zu der die liberalistische sich entwickelt hat. Es bedarf des Rückgangs auf die Tendenzen des Kapitals…, (grifos meus); ou ainda em Jean-Marie Domenach, Approches de la Modernite. (Paris: École Polytechnique, 1986: 162 e ss.), onde afirma: “Totalitarisme’, le mot est lancé par Mussolini lorsqu’avec une emphase latine il exalte la suprématie de L’État: ‘Pour le fascisme l’État est absolu devant lequel les individus et les groupes ne sont que relatifs’” (…). “Si le fascisme italien exalte la grandeur romaine, il n’est pas raciste comme le nazisme, et il ne s’est rallié que tardivement  et timidement à la persécution de juifs. En otre, il ignore les camps de concentration…”. Para Gilbert Durand, no livro As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. (São Paulo: Martins Fontes, 1997: 92-93), “a negrura é sempre valorizada negativamente. O diabo é quase sempre negro ou contém algum negror. O antissemitismo não seria talvez outra fonte além desta hostilidade natural pelos tipos étnicos escuros (…). Deve-se aproximar disto o fato de que Hitler confundia no seu ódio e no seu desprezo o judeu e os povos ‘negróides’”. Para Karl Mannheim, em Diagnóstico de Nosso Tempo ( Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1967: 59): “o poder e a influência de Hitler poderiam ser invalidados se ao menos sua significação tivesse sido percebida a tempo”. Finalmente Martin Heidegger é preciso, para sermos breves, quando afirma em seu livro Nietzsche (I) (2007: 125): “O poder só se faz presente onde vigora a simplicidade da quietude por meio do qual o contraditório é mantido, ou seja, é transfigurado na unidade do jugo que sustenta um arco”.

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*Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências (USP). Professor da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (uece).

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