Assis Rosa

Elogios? Os mais comuns que escuta,

Talvez sem muito lhe afetar,

De “Linda!”, “Boneca!” e “Gata!”

Já se sabes assim, é comum lugar.

Posto, de tanto repetirem-lhe elogios

Esses refrigérios do ego quedam-se vazios

Porém, atrevo-me, ouso ainda lhe elogiar

Mas, por ai, este mesmo, nunca vais escutar

Isso garanto por ser demais improvável

Ouvir de alguém: “Sua inexplicável! ”

 

Um ser deveras lindo

A distância espio

Expiação de pecados

Vindouros e passados

Beleza que dá gosto de se ver

Que ao olhar e sentidos dá prazer

Que ao longe me ilumina

Um corpo-arte, obra-prima

 

Desejo-te

Não, de fogo de paixão ainda não se trata,

Sim, para tal incêndio quase não se falta

Desejo-te

Daquele jeito que dá tesão e faz tremer

Daquele jeito que da razão se faz perder

Desejo-te,

Mesmo sabendo certa a mortífera afirmação:

“O desejo não sobrevive a sua satisfação! ”

Desejo-te, insisto,

Embora nunca a toque ou a tenha perto de mim

Pois não quero esse desejo acabado, decretado fim

 

Suas pernas, suas curvas, sua cintura

O que mais prende atento o meu olhar?

Seu rosto, sua pele, enfim, sua criatura

De olhos fixados, não consigo parar

Hipnotizado pela sua formosura

Acho-me perdido, vencido pela luxúria

Então, só me resta a você apelar:

“Vá! Foges logo desse olhar! ”

 

Se possível fosse…

Queria beijar o sorriso da tua voz

Se possível fosse…

Queria acariciar as palavras da tua boca

Se possível fosse…

Sentir a tua alma ao tocar seu corpo

Se possível fosse…

Agora, estaria com você, que distante

Já me faz demais um bem bastante

Um bem de te querer bem

Se possível fosse…

Tentaria saciar com teu sexo

Os instintos insaciáveis

Mas, não, nada disso é possível…

O que me é possível, então?

Ver-te! E nesse contemplar

descanso meu ego desejante,

imagino uma ponte ao pensar,

e atravesso-a em instantes!

Chego e me aconchego

na beleza do teu semblante!

 

Que forças astrais do alto

me tomam de assalto?!

No desembrulhar da vida

me perco e me acho,

mas, mesmo assombrado

pelos astros, sigo,

de encontros e desencontros

comigo. E assim, certa vez,

perdido no tempo-espaço,

fui no meu encalço,

e procurando me encontrar

achei você no ciberespaço,

e novamente me encontrei.

Através de ti voltei a me achar,

e agora encontrado, seguirei

nas idas e vindas sem cessar

dessa vida feita de virações

e caminhar. Só peço aos céus

uma coisa: que nos caminhos

e voltas do viver, eu nunca que

venha é me apartar de você…